08 outubro 2010

Xilogravura / Wood Cut (Uma gravura para comer)

  •  Xilogravura sobre uma placa de pau-marfim medindo 14.9X21.3cm.
  • Essa gravura foi postada anteriormente com um processo de impressão diferente. Nessa tiragem imprimi a matriz de madeira como uma gravura em metal usando uma prensa para livros.
  • A profundidade da gravação e o preenchimento da tinta nessas espaços e a consequente impressão no papel faz com que a tinta, sob pressão corra pelos canais formados pela goiva e extrapolem os limites da gravura, formando um "borrado" em todas as laterais.
  • As diferentes profundidades que a goiva alcança permite que haja diversas alturas nos relevos formados pelas linhas.
  • A gravura fica "gorda", saltada como se sobre o papel se houvesse colado uma imagem feita em borracha brilhosa e macia. Quase dá vontade de comer... porque parece de chocolate quente...
  • Basicamente todas as minhas gravuras em metal seguem o princípio da abundância de tinta. São intensas as linhas e formam relevos sobre o papel. Como essa gravura é sobre madeira, ficou um pouco mais fácil intensificar os relevos.
  • À direita coloquei duas imagens ampliadas do centro e da lateral superior direita da imagem para que vocês possam sentir o gosto da gravura.
  • A técnica para conseguir esse resultado é a seguinte: 
    • intensifique os sulcos na madeira e permita que o corte chegue até as bordas da matriz, caso contrário o excesso de tinta borrará a própria imagem;
    • use uma boa prensa para livros;
    • sobre a mesa da prensa coloque feltros na medida certa: não muito grossos que venham a danificar o papel nem muito finos que não permitam a mobilidade do papel sob pressão;
    • o papel deve estar bastante úmido.
    • a matriz, durante a impressão, deve estar com a imagem virada para baixo;
    • pressione com vigor (muito vigor!);
    • para retirar a gravura, segure a matriz ainda com a imagem virada para baixo e deixe que o peso do próprio papel descole a imagem da matriz. Caso contrário a tinta pode permanecer na matriz e não ser transferida de forma eficiente para o papel.
  • Se você quiser que a gravura tenha relevo mas não quer que ela esparrame além dos limites da matriz, tenha o cuidado de após entintar a matriz, limpar com vigor os sulcos terminais (aqueles que vão até as bordas da matriz) de modo a que eles possam ainda receber tinta sem deixá-la escapar para além dos limites. Isso vale para xilogravura e gravura em metal. 
  • Usei tinta sanguinea da Charbonnel. Tirei cinco cópias em papel Rives Tradition Bright White 320 g/m2. 

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