15 maio 2012

Light Supper

Light Supper by Angelo Rodrígues
Light Supper, a photo by Angelo Rodrígues on Flickr.

Via Flickr:
Pencil, Lamy Safari with Noodler's bulletproof black ink, Gouache and Watercolor on Moleskine Sketchbook (5.2X8.2 in)

À tarde na Casa do Pão de Queijo fiz esse sketch de um cliente habitual. Primeiramente desenhei com lápis e posteriormente usei uma caneta Lamy. Ao final introduzi o preto opaco.
Estava bem frio no Rio. O senhor usava um casaco negro bem pesado mas... curiosamente, estava de bermudas. Coisas de quem mora perto do mar...
À sua frente estava a Av. Copacabana, com trânsito intenso de pessoas e carros. Achei que inseri-los no desenho não ajudariam a composição e por isso ficaram de fora.

2 comentários:

  1. À primeira vista parece uma imagem de alheamento e até de não comunicação. Alguém virado para uma parede sofrendo um castigo de exclusão imposto ou voluntáriamente assumido. Na ilustração reina um silêncio de clausura conventual.
    Mas após a informação de que a parede é de vidro e através dela se observa o mundo que fervilha lá fora, tudo parece ser diferente e a primeira leitura parece errada.
    Olhando de novo, vejo que foram outros os indícios. Não foi a parede opaca que me deu a primeira leitura mas sim a atitude cabisbaixa do modelo, os ombros descaídos, os pés pousados mas não assentes, o singelo saco com a garrafa arrumado no chão no modesto canto da coluna e a imensa mancha negra que parece derrotar este homem que prefere não encarar os outros seus companheiros de refeição.
    A boa ilustração é feita de subtilezas. Uma delas é a de omitir o supérfluo que a podia destruir.

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    1. Olá, Luis,

      Obrigado pelos comentários.
      Você acertou em cheio quanto ao sentimento que o desenho queria passar. Essa cafeteria fica bem perto de onde resido aqui em Copacabana. Sempre dou uma passada por lá para tomar um café. Sempre encontro as mesmas pessoas que, solitárias, fazem daquele ponto um lugar de encontro. Em sua maioria são homens que passaram dos 70 e meio que "vagueiam" fora de seus apartamentos. A proprietária do local já colocou um grande banco do lado de fora da loja para que eles lá sentem, já que tomam o lugar não dando espaço para os "clientes de verdade", dado que eles quase se limitam a um café e água. São todos muito simpáticos e amistosos. Contam histórias de suas "vidas passadas" e animam o ambiente.
      Quando não estão juntos criam cenas como a que retratei. Pura solidão. Não sei se esperam ou refletem sobre a vida, mas olham, parecem observadores do mundo, como se a ele já não pertencessem.
      É um problema que aflige (e muito) Copacabana. Tornou-se, ao contrário do que pensam aqueles que aqui não vivem, um bairro de idosos, idosos e solitários, alguns até abandonados.
      Grande abraço, amigo.
      Gostei muito das observações feitas no outro desenho.

      Angelo

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